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Partly Cloudy
Sabe aquela coisa que você vê e te deixa com um sorriso no rosto por um tempão depois que termina? Aconteceu isso quando vi Partly Cloudy (2009), curta da Pixar “anexo” a Up. Como parece que esse curta não é exibido nas sessões em 3D de Up (que verei no cinema só amanhã), resolvi assistir por aqui mesmo. Enjoy:
(Para assistir com uma definição melhor, clique aqui)
Notinhas
Resolvi aproveitar que ontem à noite minha internet caiu para comentar sobre algumas coisinhas que vi/li na semana passada.
1) Estação Espacial 3D (Space Station, 2002): Documentário que mostra o trabalho e a rotina de astronautas em plena viagem pelo espaço. Foram R$15,00 (sou estudante e pago meia) bem gastos no ingresso do IMAX. É tudo muito bonito e, assistindo na sala 3D, você se sente “lá”. Mas sou suspeita para falar, porque, quando tinha 8 anos, queria ser astronauta. Recomendo.
2) O que terá acontecido a Baby Jane? (What ever happened to Baby Jane?, 1962): Joan Crawford e Bette Davis em belas atuações. História de duas irmãs: Blanche, atriz amada pelo público que no auge da carreira ficou paralítica devido a um acidente, e Jane, que fez sucesso na infância mas cresceu e foi esquecida. Se prestar atenção em todas as “pistas” que são dadas desde o início, dirá que o final é previsível. Mas tenho certeza de que você jamais se esquecerá dos últimos cinco minutos desse filme. Recomendo.
3) A História Real (The Straight Story, 1999): É filme. É David Lynch. É belo. Nada a acrescentar. Recomendo.
4) O Clube do Filme, de David Gilmour (2009, Intrínseca, 240 páginas): A história de um pai que permite que seu filho adolescente não vá mais ao colégio, desde que assistam juntos a três filmes por semana. O primeiro filme a que Jesse deve assistir é Os incompreendidos (Les 400 Coups), obra prima de François Truffaut. Assista a esse filme antes de ler o livro e entenderá que foi uma boa “sacada”. O livro começa bem, mas desanda com o amontoado de clichês (por exemplo, a patética tentativa do autor de fazer campanha contra o uso das drogas) e a apatia dos protagonistas. O relacionamento entre o pai e o filho poderia ter sido belamente retratado, mas é apenas piegas. Alguns comentários sobre alguns filmes são interessantes, mas na maioria são superficiais e não convencem – para se informar sobre cinema, é muito mais proveitoso ler os textos do Scream & Yell. Teria sido uma boa história, se Gilmour não tivesse preguiça de aprofundar as descrições, os diálogos e as personagens. Não é literatura; é apenas um livro que foi escrito às pressas. E, apesar de ser melhor ler qualquer coisa do que não ler nada, definitivamente NÃO recomendo.
* * *
Nessa semana, espero terminar de ler Amor em minúscula (que estou amando), de Francesc Miralles, de reler Quase memória (que amo), de Carlos Heitor Cony e de assistir a todos os episódios de Twin Peaks. Conto em público pra ver se eu tomo vergonha na cara e faço MESMO tudo isso que planejei…
Beleza Americana

Às vezes, há tanta beleza no mundo que parece que meu coração vai explodir
Uma adolescente comum que tem vergonha dos pais.
Ouvir CD de autoajuda dentro do carro, sozinha, em uma noite de chuva.
Querer que a vida da mãe tivesse sido melhor, mas fazer o quê?
Uma mulher para quem é mais importante não sujar o sofá de seda italiana do que a tentativa de reaproximação do marido.
O redespertar para a vida após vinte anos de um casamento que já deu o que tinha que dar. Traição.
Vizinhos novos. A coragem para assumir um sentimento. O engano, a rejeição e um prato com a cruz suástica no fundo. Um tiro.
A cumplicidade que surge entre duas pessoas vendo um saco de plástico voar por 15 minutos.
A amiga bonita, que quer ser capa de revista, e a esquisita, que simplesmente “não se encaixa”.
Não odiar o pai, apesar de ele o ter mandado para a rehab, mas continuar usando drogas.
Ninguém olha para a esquisita e todos olham para a bonita – inclusive o pai da esquisita.
De repente, perceber que nem sempre você precisa fazer tudo o que mandam você fazer.
Guardar dinheiro desde os 13 anos para fazer plástica nos seios.
A coragem de abandonar um emprego para voltar a fazer sanduíches, ganhando um salário muito menor, só para ter o mínimo de responsabilidade possível.
Alguém perceber que a “bonita” é comum e só anda com a “esquisita” para se sobressair.
Uma mãe que dá um tapa na cara da filha ingrata no momento certo.
Esse alguém quebra a regra e só vê beleza na “esquisita”.
A mãe e o pai ausentes. A filha também.
Mas esse alguém vê beleza nas coisas mais improváveis, mesmo.
Ninguém é totalmente mau. Ninguém é bonzinho. Ninguém é hipócrita. O mundo é que é assim.
“Foi uma sorte a gente ter se encontrado”.
***
Ontem, vi Beleza Americana de novo. Depois que acabou, tudo parecia meio idiota e desliguei a TV. Eu precisava falar algo sobre. Não sabia como e saiu isso mesmo. Nada está na ordem certa, mas é de propósito.
Eu, Alice e o Gato de Minas

Mia Wasikowska é a Alice de Tim Burton
Life, what is it but a dream?
No meu aniversário de seis anos, ganhei um vinil da Coleção Carroussell, que tinha Alice no País das Maravilhas, no lado A, e O Rapto das Margaridas, no lado B. Todos os vinis que eu tinha visto até então eram pretos, mas esse era verde e isso me fez ficar ainda mais empolgada com o presente.
Eu estava de férias em Curitiba, na casa da minha avó, então passei horas ouvindo ali mesmo. Mas não pense você que eu era uma criança mimada, por não poder esperar chegar na minha casa para ouvir: na época, eu morava em Cacoal-RO, que fica a três dias de viagem de Curitiba. Você há de concordar que não tinha como esperar.
Se alguém me perguntar, hoje, qual disco ouvi mais vezes em toda a minha vida, não sei dizer ao certo: se o Psychocandy, do Jesus and Mary Chain, ou se esse vinil verde dos meus tempos de prezinho. Eu o colocava tantas vezes na vitrola que, com pouco tempo, decorei as duas histórias e contava para quem quisesse ouvir – além de contar uma delas para mim mesma, todos os dias, no chuveiro.
Cresci e descobri o Lewis Carroll, Alice no País dos Espelhos, audiobooks, filmes que não chegaram no Brasil, o desenho da Disney etc. Ficava feliz sempre que encontrava uma história legal – como Coraline, do Neil Gaiman, ou Através do Espelho, do Jostein Gaarder – que fazia algum tipo de referência à minha história preferida. Quando foi anunciado, em 2007, que Tim Burton, em parceria com a Disney, faria a sua versão de Alice, minha alegria só não foi maior do que está sendo minha ansiedade em esperar.
O filme tem estreia prevista para março de 2010, mas as primeiras fotos oficiais já foram divulgadas na semana passada. Teremos Johnny Depp (Edward mãos de tesoura) como o Chapeleiro Louco, Helena Bonham Carter (Clube da luta) como a Rainha de Copas, Anne Hathaway (O diário da princesa) como a Rainha Branca e Tweedledee e Tweedledum parecendo uns Oompa Loompas (tenho certeza de que você assistiu A fantástica fábrica de chocolates) mais gordinhos – tudo isso misturando 3D, stop motion e live action. Sim, a história mais querida da minha infância está em boas mãos.
Enquanto Alice não chega nos cinemas, me divirto ouvindo a Alice do Carroussell mesmo – mas agora no iPod, e não mais no vinil verde…
Quer ouvir Alice e O Rapto das Margaridas? Você encontra para download, aqui.
***
P.S.: Resolvi testar minha memória e transcrever o diálogo entre a Alice e o Gato de Cheshire (que, na versão brazuca, é Gato de Minas). E não é que eu ainda me lembro de todas as falas?
Gato – Alou!
Alice – Ih! Ouvi um “alou”! Quem será?
G. – Sou eu!
A. – Eu, quem? Onde?
G. – Aqui em cima!
A. – Oh,um gato que fala também! Meu nome é Alice. E você, quem é?
G. – Permita que me apresente. Sou Gato de Minas.
A. – Ah… Prazer, seu Gato de Minas. Mas por que “Gato de Minas”?
G. – Porque eu nasci em Minas, uai! Seria o Gato Paulista, se tivesse nascido em São Paulo, ou o Gato Baiano, se tivesse nascido na Bahia. Como nasci em Minas, sou o Gato de Minas!
A. – Isso me parece lógico.
G. – Tudo o que eu digo é lógico, menina.
A. – Verdade? Então diga-me: qual caminho devo seguir?
G. – Depende para que lugar você deseja ir!
A. – Gostaria de encontrar o Coelho Falante, que sumiu, dizendo estar atrasado, muito atrasado…
G. – Ah, sim! Refere-se ao Coelho Falante. Realmente ele estava com muita pressa.
A. – Com pressa? Para quê? Por quê?
G. – Porque ele estava atrasado!
A. – Sim… Mas atrasado para quê?
G. – Para se encontrar com a Rainha de Copas. Ela vai cortar a cabeça dele.
A. – Ah! A Rainha de Ouros…
G. – De Copas! A Rainha de Copas!
A. – Rainha de Copas, Rainha de Ouros… No fim, é tudo jogo de cartas. Tudo a mesma coisa! Não vou deixar que cortem a cabeça dele. Isso é uma maldade! Um coelho sem cabeça… Onde mora essa Rainha?
G. – No palácio dela, ora.
A. – Ah, isso eu sei!
G. – Então por que pergunta?
A. – Olha aqui, seu Gato de Minas, não conheci ninguém tão irritante quanto você!
G. – Pra falar a verdade, eu também não. Adeus!
A. – Espere aí! Onde você vai?
G. – Embora. Vou embora.
A. – Sem dizer qual o caminho devo tomar para ir para o castelo da Rainha de Copas?
G. – Siga o caminho da direita.
A. – Da direita? Obrigada!
G. – Ou da esquerda.
A. – Da direita ou da esquerda?
G. – Se preferir, pode ser o de trás.
A. – Ora bolas, decida-se! Qual deles devo seguir: direita, esquerda ou de trás?
G. – Quem deve decidir é você. O problema é seu. Adeus!
A. – Volte aqui! Volte aqui, seu gato malcriado! Volte!
Mas o gato se transformou em uma fumacinha e desapareceu, deixando Alice furiosa.
(…)