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Educação enferruja por falta de uso
Artista é assim: quando você menos espera, te surpreende. Acabei de descobrir (na internet, ou seja: pode ser mentira) que um texto muito bonitinho que encontrei por aí, uns anos atrás, é de um cara que tem umas pinturas e litografias muito legais: o boêmio e francês Toulouse-Lautrec – cujo estilo definiria, mais tarde, a chamada Art Nouveau.

o Moulin Rouge por Toulouse-Lautrec: cartaz do século XIX
O texto resume tudo o que penso – desde que me entendo por gente – sobre o que é ser elegante. O título é “A elegância do comportamento” e é parte do livro Educação enferruja por falta de uso. Nem preciso dizer que fiquei super curiosa e quero ler esse livro o mais rápido possível.
(Isso se esse livro realmente existir. Procurei em vários sites e, adivinha?, nada. Desconfio de que seja mais um daqueles textos escritos por algum desconhecido qualquer, atribuído a alguém famoso. Só acreditarei que é do Toulouse-Lautrec quando pegar o tal livro nas minhas mãos. Mesmo assim, o texto não deixa de ser bacana. Na verdade, foi mais um pretexto que encontrei para falar sobre duas coisas legais ao mesmo tempo: o texto, que pode ser do artista, e o artista. Confira o texto:)
A ELEGÂNCIA DO COMPORTAMENTO
Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento.
É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza.
É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto. É uma elegância desobrigada.
É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam.
Nas pessoas que escutam mais do que falam.
E quando falam, passam longe da fofoca, das maldades ampliadas no boca a boca.
É possível detectá-las nas pessoas que não usam um tom superior de voz.
Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros.
É possível detectá-la em pessoas pontuais.
Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está.
É elegante não ficar espaçoso demais.
É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao de outro.
É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais.
É elegante retribuir carinho e solidariedade.
Sobrenome, jóias, e nariz empinado não substituem a elegância do gesto.
Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a estar nele de uma forma não arrogante.
Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural através da observação, mas tentar imitá-la é improdutivo.
Educação enferruja por falta de uso.
E, detalhe: não é frescura.
É a elegância do comportamento…